5 de Assalia do Ano Livre 23
Reverência do Sacerdote , Ano 48 do 190º Ano-Rei



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Rompendo Padrões em Criação de Encontros, parte II Projetos: Outros

Exemplo de Campanha Caseira: Sessão 8



Como você pode lembrar, do artigo anterior, estamos falando sobre romper com padrões estabelecidos em criação de encontros. Da última vez, falei um pouco sobre minha abordagem e agora irei compartilhar o processo que usei para uma de minhas sessões da campanha caseira de Dark Sun. Em linhas gerais, eu tinha o seguinte:

Sessão 8: Um PJ se encontra com Abalach-Re, tornando-se templário dela. Os PJs deixam Raam na direção da vila natal deles, próxima do sul da Bacia do Dragão. Eles querem dar uma parada e ver o druida que vive perto da vila, buscando informação. Quero deixar uma dica sobre um novo inimigo, ter um pouco de diversão nos ermos e ter uma luta com uma tradicional besta do deserto.

Criação da Sessão 8:
1) Eu quero dar destaque ao encontro dos PJs com Abalach-Re. É um momento de história solo, mas será bem-humorado o suficiente (e o jogador é fantástico) então todos vão gostar. Haverá uma boa dose de tensão e perguntas feitas que divertirão a todos. Isto não é um encontro, mas sim interpretação pura. Anoto rapidamente o que irá ocorrer e ideias de como reagir ao PJ. Isto ocorreu muito bem durante o jogo. Também usei o encontro como oportunidade de fornecer uma recompensa alternativa. Não entrego tesouro da forma normal. No caso, o meio-gigante desenvolveu um Talento Selvagem depois do encontro com ela.

2) Eu forneço um encerramento para a história ao deixarem Raam. Certifico-me de ter 2-3 detalhes para PJs diferentes, avançando um pouco suas histórias. Um deles comeu algo estranho, e eles têm uma noite sem sono atrapalhada pela dor de estômago. Outro tem contatos na cidade e levanta informações. Isto foi história pura, mas muito rápido.

3) Quero que os PJs cheguem ao druida rapidamente, porque temos outras coisas importantes para cobrir. Entretanto, eu tenho uma ideia para introduzir um novo inimigo... um Drako da Areia invocado por um poderoso inimigo que eles ainda nem sabem que têm! Além disso, eu quero uma cena que envolva criaturas ou terreno para dar um pouco de cor. Não gosto de uma viagem pelos ermos de Dark Sun sem algo do tipo. Baseado nisso, não uso Hexploration desta vez (como fiz da última vez em que visitaram o druida, uma quebra em si no modo normal de aventuras).

Meu plano original era que eles fossem para a vila primeiro e depois voltassem. Isso me permitiria ter uma longa viagem em que o drako poderia brincar de gato e rato com eles. Eu, deliberadamente, deixei os jogadores fazerem escolhas que poderiam atrapalhar meus planos. Assim eles o fizeram, visitando o druida primeiro. Coloquei o drako para depois e usei a cena de perigo nos ermos primeiro.

Desta vez, eu busquei diminuir a dependência nas regras e os apresentei um cenário de perícia. Como um desafio de perícia, mas não fico registrando sucessos ou fracassos explicitamente. Tenho elementos de perigo, dano e eles podem usar poderes de ataque. Durante a criação, levo várias opções em conta. Finalmente me decido por abelhas das rocha. Estas criaturas inventadas são basicamente abelhas gigantes que vivem em tubos cavados na rocha, têm enormes carapaças e seus ferrões capazes de te empalar e deixar um buraco tão grande que você nunca mais vai se recuperar. Esta é uma cena livre com regras mais soltas (como uma jogada de ataque e dano, mas sem um bloco de estatísticas real). Ele tem estrutura suficiente para que eu pudesse escrever para uma campanha como Ashes of Athas, mas não o faço, já que sou a única pessoa mestrando o encontro.

Como ele foi jogado foi bem divertido. Os PJs chegam neste pequeno vale nas montanhas. Eles usam suas habilidades para encontrar e reconhecer os buracos. Eles também ouviram falar que mel de abelha das rochas é bem nutritivo e tem poderes curativos. Dizem que magos usam, então tem valor! E as larvas das abelhas também são nutritivas (já disse que eles estavam com poucos dias de sobrevivência?). Eles aprenderam que fogo as atrai já que elas odeiam fumaça e fogo. Então esperava que eles encontrassem uma maneira de criar fogo (eles fizeram isso) e atraíssem uma abelha para fora (eles não fizeram isso, eles atraíram todas para fora com um barulhão)! A diversão começou e muito dano foi tomado enquanto um PJ pegava larvas e mel. Adicionei coisas na hora apenas por diversão, como a borda de cada túnel ser feita de lama e quebrar, então eles poderiam cair ou não conseguir sair. Diversão.

4) Eu sabia que a reunião com o druida seria interpretação pura. Meu druida gagueja e chia e solta catarro encima dos jogadores, dá 'respostas' enigmáticas e algumas dicas sobre uma direção em específico. Dei a eles, praticamente, a informação que queriam.

5) Do jeito que as coisas andavam, não queria colocar o drako ainda. Entretanto, há este pináculo que eles já escalaram antes. Com um pouco de dificuldade, um PJ fez o outro escalar. De lá, eu lhes dei a bela visão da Bacia do Dragão... e do drako à distância. Então eles se esconderam e moveram-se cuidadosamente, aprendendo algumas coisas sobre o drako enquanto o observavam. Drakos da areia são animais diurnos e só caçam durante o dia. Este foi um bom arranjo para o futuro, dando profundidade para encontros seguintes.

6) Chegaram à vila. Foi uma cena de interpretação e atualização. Eles interagiram com NPJs, se atualizaram sobre o que estava acontecendo na vila e viram os frutos de seu trabalho. Há bastante diversão em dar uma pausas em NPJs divertidos (como o meio-gigante que muda de personalidade para ficar igual à pessoa falando com ele) e em ver o resultado de ações prévias. Aqui, a abordagem que tiveram em encontros passados estava em força total já que inimigos libertados agora trabalhavam para a vila, reparando-a e haviam lutado contra saqueadores na ausência dos Pjs.

7) Baazrag! Eles começaram a viagem para o sul, seguindo a trama principal. Coloquei a luta com baazrags que havia planejado, o que foi um combate bem típico com terrenos interessantes e monstros divertidos que são bestas ícones de Dark Sun. Só que minhas rolagens de dados foram horríveis, os jogadores rolaram bem e foram espertos, e meu encontro à altura do grupo acabou sendo moleza. Não há problema nisso (jogadores gostam de lutas fáceis, de vez em quando), mas me deu uma oportunidade. "Já volto", disse, e então voltei com meu drako da areia.



Então começo a dar uma surra séria neles. Meu pensamento é que ele fugiria quando estivesse sangrando. Ele é um solitário nível 6 (PJs são nível 5), mas um bem forte com vários poderes sólidos. Usei uma miniatura de tamanho não-padrão (2x3 quadrados na base) para representar que ele estava frequentemente subindo e se movendo sobre rochas. Metade poderia estar em cima de terreno rochoso e a outra metade na areia. Joguei rápido e despreocupado e permiti aos jogadores fazerem algumas coisas divertidas para afetar o combate com suas habilidades, como distraí-lo, chamá-lo na direção deles, etc. o resultado foi uma luta muito legal incluindo alguns heroísmos do mul, alguns PJs correndo por suas vidas e muitas jogadas 'na trave'. O drako fugiu e os heróis prevaleceram.

Esta foi a sessão, durando 5 horas. Muito pouco era convencional. Ainda assim, estou seguro que poderíamos empacotá-la para jogo organizado com um pouco de trabalho para que Mestres saibam que espaço eles têm nas cenas.

Foi muito divertido para mim criativamente, foi cheio de história e interpretação, resultou numa interação fantástica com meus amigos/jogadores e tinha muito pouco dos padrões que constantemente vemos em aventuras publicadas e jogos organizados. Próxima semana, compartilharei o processo de criação e rompimento de padrão aplicado na minha sessão mais recente.

Quero opinar em uma última coisa, e é sobre o conceito de Fourthcore (quarta edição hardcore). Acho que parte do encanto está em deixar as coisas mais difíceis, mas isso é algo complicado de se fazer... você pode perder PJs uma quantidade máxima de vezes até que o jogo não seja mais divertido. Acho que o maior apelo está em ideias antigas sobre criação de encontros, calabouços imprevisíveis e monstros que não seguem regras típicas da 4e. É este rompimento com padrões que mais atrai muito de nós quando olhamos para Fourthcore. Para este fim, eu recomendo fortemente olhar para estes conceitos. Quero dizer, apenas veja este mapa!

Texto Original: Alphastream (Teos Abadia)
Tradução e Adaptação: Bruno Lopez Fernandes
Revisão: Fabrício G. M. Lopes

Encontre o texto original no link:
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